Páginas de Caderno
(08.08.2011)
   
Resolvi beber poema,
porque minha alma tão pequena Um rio sem vida que eu quis reajustar.
não sabe mais se comportar.
   
Mergulhei no meu mundinho, Um curso sem rumo para minhas amigas eu dei
assim, por tanto tempo, e, assim, não sei, quantos amigos eu fiz.
que não me atrevo, Mas dos poetas que tenho contato
não sei se tento mais rimar. assinei contrato de aprendiz.
   
Depois de muitos anos, Em determinado momento, vi-me formado,
senti saudade do poeta verde, um tanto acanhado com os meus méritos.
que não saciava a sede de se eternizar.
   
Coloquei nos trilhos Aprendi a dominar meus impulsos,
todos os meus vazios e inquietudes, e hoje os meus pulsos, sob o papel,
num jeito brando de me calar. não mais trabalham.
   
Hoje não me permito as gafes da métrica desmedida, das rimas sem sentido, Hoje são meus dedos que percorrem o teclado,
dos versos toscos que terminam com ar. apagam frases mal feitas, versos caretas,
Hoje sou cantor dos poemas, e não me faltam motivos a festejar. já não derrubo tinta na mesa, que falta me faz!
   
Mas de meus tempos de poeta verde, Os rabiscos no caderno, as palavras comidas,
sinto falta do deleite de apenas escrever, as vírgulas não vindas e a inspiração a me enlouquecer...
de passar para o papel palavra
que nem sequer sei o que fará.
   
Saudade dos primeiros versos que, dispersos, Que falta me faz! A agonia voraz de escrever
despertam à medida que chegam e viajam na minha alma sofrida. mais devagar do que a minha mão pode preencher as páginas de caderno...
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